Já adiei várias tarefas e decisões, até ao limite, mesmo sabendo que esse tempo perdido me iria custar caro. Já me senti culpada e até envergonhada, acima de tudo perante mim mesma, por não ter feito as coisas com mais calma. Mas, tal como a maioria das pessoas, não sou uma procrastinadora crónica. Há fases em que consigo ser muito organizada e produtiva; há outras em que embirro com certas tarefas e sonhar sobre o que faria com o Euromilhões, a meio de um dia de trabalho, parece mais estimulante.

Procrastinar: adiar voluntariamente algo que, se não for feito, nos vai causar sofrimento

Acho que todos conhecemos aquela sensação de ter uma nuvem negra a acumular-se em cima da nossa cabeça e de nos sentirmos bloqueados para agir sobre ela. Sabemos o que temos de fazer, mas não fazemos. Seremos preguiçosos, pouco organizados? Mas se é essa a explicação, por que razão nem sempre procrastinamos?

Fui à procura de respostas e o que encontrei encaixou-se como uma luva naquela que tem sido a minha experiência e, acredito, na de muitas pessoas.

“Faz lá isso!”

“Para mim, a procrastinação prende-se com regulação emocional. No limite, dizer faz lá isso a um procrastinador crónico é como dizer anima-te a uma pessoa com depressão.” Timothy Pychyl, professor de Psicologia da Carleton University, no Canadá, concluiu que não adianta muito avançar com grande planeamento de agenda e auto-imposição de deadlines se não conseguimos lidar com a emoção que, à partida, nos está a bloquear.

“Para mim, a procrastinação prende-se com regulação emocional. No limite, dizer faz lá isso a um procrastinador crónico é como dizer anima-te a uma pessoa com depressão.”

Pior: como procrastinar gera ansiedade, culpa e vergonha, esse estado mental de base agrava-se e ficamos ainda mais bloqueados e inativos.

O que fazer para quebrar o ciclo da procrastinação?

Há quem se foque apenas no poder da ação e dos objetivos de curto prazo, porque isso nos coloca numa posição de controlo e de resposta a um estímulo. Para mim, não funciona. Nos piores dias, consigo arranjar mil desculpas e distrações. Se esse agendamento fosse suficiente, já o teria feito sem grande esforço.

Mas há vários estudos levados a cabo por psicólogos americanos sugerem duas abordagens, complementares, que me parecem mais capazes de dar a volta à procrastinação:

  • Perceber qual a nossa fonte inicial de stress (exemplo: se estamos a procrastinar a entrega dos impostos, talvez o estejamos a fazer porque temos problemas financeiros e estar a remexer nas nossas contas pessoais é uma fonte de stress). Tomar consciência do que está por detrás da nossa procrastinação ajuda a atenuar a carga negativa da tarefa, pois ficamos com uma noção mais realista do que estamos a viver.
  • Perdoarmo-nos por ter procrastinado. Substituir frases como “sou mesmo estúpida, devia ter feito aquilo” por “hoje não consegui fazer, sou humana e falho como toda a gente” coloca-nos num posição mais próxima de, no dia seguinte terminarmos o que temos para fazer. A explicação mais detalhada pode ser encontrada no livro do Prof. Pychyl.

Depois de resolvermos a nossa agitação interior, aquilo que verdadeiramente nos incomoda, talvez consigamos avançar para a ação, sem nos distrairmos.

Agora, percam a vergonha e não me façam sentir sozinha 🙂

Contem-me a vossa experiência e aquilo que tem ou não funcionado convosco.

Vou gostar de saber.

🙂

2 Replies to “Procrastinar é sinal de stress, não de preguiça”

  1. Muito obrigada… eu procrastinadora me confesso! O que realmente me ajuda é fazer uma lista e analisar os motivos pelos quais não a estou a cumprir. Na maior parte das situações é mesmo “psicológico”! E depois torna-se mais fácil e mais rápido fazer… um dia de cada vez!
    (PS Desejo as maiores felicidades e sucessos para este projecto! Estava a fazer falta!)

    1. Olá Ana. Sim, ajuda muito percebermos qual é a origem. Ao entendermos os nossos comportamentos ficamos mais perto de os corrigir, se for o caso. E muito, muito obrigada pelas suas palavras de ânimo. São a melhor motivação que existe! Espero continuar a encontrá-la aqui pela Liiv 🙂

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