Nesta Páscoa, voltamos ao nosso Padre Paulo Duarte e partilhamos as suas palavras sobre este dia.

Esperemos que gostem e Páscoa Feliz.

“Faça-se luz.”

Em suave amanhecer, é como vejo a Páscoa. Que se cante alegre e efusivamente “Aleluia” e “Ressuscitou”. Assim é, depois desse caminho quaresmal que convida à conversão. Mas gosto de pensar e rezar a Passagem com a suavidade de quem vai integrando a beleza do mistério na sua vida.

Os discípulos, onde se incluíam mulheres, não viveram esse momento com total segurança. Agitaram-lhes o medo, a confusão, muitas perguntas. Sentir e viver a certeza da Vida daquele que viram a ser crucificado não pode ser encarado como novo-riquismo de fé, esfuziante. É gradual, onde a sombra de Sexta-feira Santa vai sendo iluminada com a presença do Ressuscitado e revelada primeiramente por uma ausência: o túmulo está vazio.

S. João fala-nos mesmo do “nada ver que tudo vê”. E quantas vezes se dá a sensação de plenitude, em que se torna clarividente algo obscuro na nossa vida, revelando-se novo caminho em experiência de contemplação? A Páscoa tem a sua dose de estética, em revelação de contemplação, de sombras que se vão dissipando na experiência luminosa de novo ver. Ou de nova criação.

“Faça-se luz”, ouve-se no primeiro momento da criação. A luz torna-se ela mesma fonte de vida. Mas é gradual. A fé, deixando-se iluminar por essa luz suave, tem de atravessar as sombras da vida, apesar do medo e da vergonha.

A experiência da Páscoa é deixar que a fé seja atravessada pela luz. Santa Páscoa a cada um(a), em suave amanhecer. Nestes dias especiais, continuarei a rezar com o abecedário. 

Fotografia: Istockphoto

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