Estes dias têm sido puxados. Demasiadas horas a trabalhar, a estudar, a planear, e dentre o tanto que isto significa, sobra pouco para viver. Sempre gostei de trabalhar, sou daquelas pessoas que demora a entrar, de facto, em férias, tenho os hábitos muito enraizados na rotina profissional e acordo todos os dias contente por poder fazer o que gosto.

Mas quando as dores de cabeça aparecem e as tonturas dão de si, sei que abuso, que exagero e pergunto-me de onde vem e para que serve este grau de exigência que coloco em cima de mim. Daí, lembrei-me que, neste mês de Dia do Trabalhador, talvez nos faça falta reflectir sobre as razões que nos levam a colocar o trabalho no topo da prioridades, tantas vezes em detrimento de eventos, situações e pessoas de quem gostamos. 

Desde quando é que estarmos sempre ocupadas se tornou uma medida de sucesso? E, se estamos sempre ocupadas, em horas extraordinárias, não estaremos a ser pouco produtivas? De que modo é que, ainda que de forma inconsciente, não nos forçamos a ser trabalhadoras perfeitas como forma de ganhar um lugar que queremos desesperadamente?

Chega desta coisa bacoca de enchermos a boca para dizermos que não temos tempo para nada. E escrevo isto sobretudo para mim. Um dos meus objectivos de curto prazo é o de organizar o meu tempo de molde a nunca sair depois da hora. Chega de nos refugiarmos no trabalho como forma de fugir a um problema caseiro com o qual não queremos lidar, seja na relação ou no constante voltar a uma casa vazia, ou como anestesia de qualquer coisa que não queremos sentir.

O trabalho é importante e necessário. Tal como o ócio.

Neste mês de trabalhador, sejamos as trabalhadoras que podemos, que queremos e, sobretudo, que nos deixemos ser. Cabe-nos desenhar uma rotina que seja mais do que as nossas obrigações, mesmo que o trabalho seja um espaço feliz e realizado. A vida fora da obrigação patronal também pode ser boa. Basta que a olhemos com a mesma vontade.

Fotografia: Istockphoto

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