O tempo pós-divórcio nunca é fácil. Mesmo que esse tenha sido o desfecho desejado e que a coisa tenha corrido sem grandes sem tormentas, é o fim de uma relação que em tempos quisemos, o corte com alguém que amámos e de um caminho que outrora idealizámos para nós.

Nada disto é simples para ninguém, mas quando esta altura da vida chega aos 50 anos, há factores diferenciadores que entram em jogo, sobre os quais importa pensar. Uns mais lineares, outros mais complexos, uma coisa é certa: aos 50 e a começar de novo, a vida centra-se à volta de uma pessoa apenas. Você.

Não é que os outros não contem, mas os filhos já estão mais crescidos, ou já adultos, já não há nada, ou pouco, a provar no trabalho, o corpo já se cansa mais e já nos obriga a levar os dias com mais calma, até a biologia, através da menopausa, chega para nos lembrar que, a partir daquele momento, há uma sexualidade madura (e sem jugo de procriação) à espera de ser explorada.

Em bom português, já não estamos para merdas, para faz de conta, para os rodriguinhos e evasivas que a vida nos manda. Agora, é a nossa vez. De estar, de viver, de ser o que quisermos, com quem quisermos, como quisermos. Estamos para os outros, sim, mas com mais sabedoria e, sobretudo, mais calma. Para isso, convido-vos a pensar nestas três ideias:

O que significa começar de novo?

Será diferente para cada uma de nós mas há algo que nos une: já todos começámos de novo várias vezes, sabemos bem o que isso implica. O que importa nesta fase da vida é saber quais são, justamente, essas implicações. Aos 20, andámos perdidas à procura do nosso lugar no mundo. Aos 30, aperfeiçoámos qualidades, ganhámos maior noção de nós mesmas e avançámos mundo dentro, na maternidade, no trabalho e no compromisso com o homem que agora é ex. Aos 40, reforçámos essas competências, lutámos dentro e fora de casa, crescemos e, às vezes, entristecemos, e chegamos aos 50 com vontade de mudar tudo.

Este é o momento de nos revisitarmos, de usarmos a ingenuidade infantil, a curiosidade adolescente e a maturidade adulta. Quer a vossa vida tenha sido mais ou menos resguardada, mais ou menos difícil, os 50 estão cheios de possibilidades.

Comuniquem as vossas necessidades, procurem e agarrem o que desejam, sejam o que sempre quiseram ser. O que interessa não é conseguir o que se quer, o que importa é ir atrás, sair da modorra que a relação de onde saem vos instalou e fazerem-se ouvir. Vocês têm uma voz. Descubram-na e usem-na sem medo.

Como conhecer pessoas novas?

Elas estão em todo o lado, basta sair à rua. Não se fechem no que sabem e conhecem. Imagino que seja muito diferente, tantos anos depois, saber como abordar e ser abordada. Usem a tecnologia, com alguma parcimónia e cuidado, mas usem e deixem-se usar por esta modernidade que vos é desconhecida mas que pode ser aliada.

O preconceito só vos fecha a possibilidade de ampliar uma rede de amigos, de conhecidos, de possíveis relações e, porque não?, de futuros amantes. Agora que estão de novo solteiras, aos fim de tantos anos em parelha, para quê cerrar de novo fileiras? Há um novo mundo à espera de ser descoberto e isso é mais divertido com os outros.

O que fazer com o medo que sinto desta nova fase?

Imagino que seja assustadora a perspectiva de começar de novo depois de tantos anos num mesmo enquadramento emocional e familiar. Mas a resposta a esta questão é simples: se tem medo, sinta-o. Identifique-o, perceba de onde vem e olhe-o como parte natural do processo. Eventualmente, desaparecerá. Se não desparecer e for incapacitante de algum modo, peça ajuda. Uma psicoterapia pode ser importante nesta fase se transição.

 

E saiba isto: por mais avassalador que seja um divórcio a meio da vida, ele é sempre, mas sempre, uma hipótese para começar de novo, nos seus termos, ao seu jeito, da sua maneira. Aproveite para investir em si mesma, nas coisas que gosta e fazer e nunca teve tempo, nos caminhos que não teve possibilidade de seguir, na pessoa que é e no mundo que tem à sua frente.

Bem vinda à melhor fase da vida. 🙂

Fotografia: Istockphoto

3 Replies to “Divórcio aos 50: bem-vindas à melhor fase da vida”

  1. Apesar de ter 50 anos não estou divorciada, mas senti muita força neste artigo e gostava de reforçar que independentemente de qualquer uma das condições esta é mesmo a fase do não estamos para merdas, nem para pessoas que nos fazem mal, nem para situações que não queremos. É a fase de nos encontrarmos de novo enquanto mulheres e pessoa e acima de tudo sermos felizes 🙂

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