Ando há muito tempo para dar aquela limpeza no armário que os finais de ano sempre pedem. Não sou de acumular muita roupa porque detesto ir às compras. Ainda assim, tenho peças com mais de 15 anos (mesmo!) que, claramente, já não uso mas ainda estão em bom estado, e que poderão fazer falta a outras pessoas.

Há dias encontrei o conceito de armários-cápsula (composto por uma pequena colecção de peças versáteis que se conjugam) e isso deu-me o impulso necessário para parar de adiar o inevitável.

Como referi, não sou de acumular mas há uma ou outra coisa que vou guardando por razões emocionais: seja porque juntei para a comprar e me custa desfazer dela, ou porque a adoro mas já não me serve, ou ainda porque me foi oferecida e não estou preparada para a largar.

Sejam quais forem as razões que me trazem apegadas a peças de tecido, elas são apenas isso mesmo, peças de tecido às quais damos uma existência, importância e significado que, em bom rigor, intrinsecamente elas não têm.

Aproveitando as obras em casa e a mudança do próprio roupeiro, era preciso encontrar um critério. O que vai e o que fica? O que permanece à minha guarda e o que muda de mãos?

Fui por fases. Arranjei 3 cestos, cada um com um destino.

  1. Definitivamente, fica.
  2. Ainda não sei se fica, logo vejo no fim.
  3. Vai à tua e vida e sê feliz noutra casa.

No final, o número 2 estava, claramente, mais cheio e foi dividido entre o 1 e 3. Não pensei que fosse tão simples. Apesar de a roupa não ser o meu foco primordial de gastos, há uma ou outra coisa que mereceu um olhar mais demorado, até aceitar que não tenho assim tantos casamentos e ocasiões formais, nem sou pessoa de praia que necessite de dezenas de t-shirts e, muito menos, voltarei a ter 30 anos e umas pernas que emoldurem com classe uma saia mais curta.

No final, o roupeiro novo ficou bastante espaçoso. E o meu “roupeiro” interno ganhou claridade e lugar para outras posses, mais prazerosas e necessárias. A ideia de acumular o que quer que seja não corresponde ao ideal que tenho, ou quero ter, da pessoa que sou. Gosto da partilha, de saber que as coisas que usei podem ter uma vida nova com outras pessoas e fazê-las felizes como me fizeram a mim.

Ter pouca roupa ajuda-me num outro exercício fundamental: focar-me no que tenho e não estar sempre a pensar no que quero comprar. Comprometo-me a viver com menos roupa e isso alivia, não apenas o roupeiro, como me dá uma sensação de leveza com a qual não contava.

Além disso, não estou sempre a esbarrar com peças que vestia “quando tinha menos 5 quilos” e sei que tudo o que lá está me fica bem e é à medida do que preciso. Tenho menos 70% da roupa que tinha mas sinto-me mais “agasalhada” que nunca.

Aqui falo de roupa mas o princípio é o mesmo para outros objectos. Antecipo que a tarefa não se torne não fácil com os livros. Mas, sem dúvida, será o próximo foco de limpeza.

E vocês, têm por hábito arrumações deste género? Se for o caso aqui encontram informação boa sobre como criar um armário-cápsula. 

 

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