Agora que o Dia da Mãe está a chegar ao fim, lembramo-nos de quem nunca se sentiu amada, desejada ou querida pela sua própria mãe. A falta de amor dos pais é das dores mais ruminantes e persistentes que existem. É uma angústia infantil que avança pela idade e nos faz sentir indignos de um amor que nos é devido a vida toda.

E mesmo que “nunca nos tenha faltado nada” por ter sempre havido conforto, faltou o essencial: o olhar de uma mãe para uma filha, que lhe diga “tu és importante para mim, tu tens um lugar no mundo e eu amo-te tal como és.” A ausência destas palavras, ou de outras similares, forma um vazio emocional e um desconsolo, que estamos sempre a tentar reparar.

A vida sem uma ligação emocional materna pode ser pesada, sobretudo porque a ausência da incondicionalidade amorosa, daquele amor que vem de pai e de mãe, nos fez acreditar, em crianças, que não somos merecedoras ou passíveis de alguma vez sermos amadas, de facto. E essa dor, tantas vezes inconsciente, é carregada até à vida adulta, num desmerecimento constante de si mesma e na busca permanente de amor e validação.

Uma filha que não se sente amada pela mãe é uma filha “que não nasceu”. Que está viva, que tem uma vida, mas que não se sente vista pelo seu modelo primordial. Importa, por isso, fazer o luto dessa mãe que nunca existiu, da mãe idealizada que sempre quisemos ter mas nunca soube ser, mas, sobretudo, o luto de um amor e de um apoio emocional que merecemos mas nunca tivemos.

Aceitar que não fomos queridas, amadas, acolhidas pela nossa mãe é muito doloroso, mas só quando assumirmos que a infância passou mas a vida continua, que ela não é a ideal mas é a possível, podemos largar a mãe fantasiada e, se for caso disso, construir uma relação com a mãe real.

Se vivem este dia com angústia, pensem em procurar ajuda. A vida faz-se de vários amores, sobretudo o que temos por nós mesmas.

Um beijinho a todas.

Fotografia: Istockphoto

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