Chega a uma altura na vida da maioria dos casais que o sexo se torna um tema. Frequentemente, porque um dos membros deixou de ter vontade. Com mais frequência ainda, a falta de vontade vem da mulher.

Se falarmos com cada uma delas, as razões que apontam para essa ausência são  diferentes. Naturalmente, todas têm o seu contexto, o seu enquadramento familiar e emocional e as suas faltas.

Mas, se escavarmos mais fundo, e à excepção das questões de domínio médico e psicopatológico, o que está na base da falta de vontade para ter sexo é, provavelmente, a resposta a esta pergunta: amo o meu marido mas já não quero ter sexo com ele, o que fazer?

Para efeitos deste artigo, vamos excluir já a falta de desejo por evaporação quotidiana. Os filhos, o stress, o trabalho, o dinheiro, a rotina, razões mais prosaicas e conjunturais que, havendo vontade, se mitigam. Não falo dessas, refiro-me a questões mais profundas, que merecem outra cogitação. Quais? E o que fazer?

Em primeiro lugar, respirar fundo e pensar: gosto de ter sexo com o meu marido? Sinto-me vista e desejada? Sinto-me amada? Sinto o meu corpo pronto para ter sexo no momento em que é iniciado? Preciso de mais tempo para estar pronta? Gostava de fazer outras coisas, de outro modo? Em suma, sinto que estou em sintonia com o meu marido?

Se respondeu “não” à maioria das questões, talvez seja tempo de perceber o que está a falhar nessa linha de comunicação com o seu parceiro. O que é que não lhe está a dizer ou o que é que ele não está a ouvir? É que se isso não está afinado, é normal que a simples menção, intenção ou sugestão de ter sexo a faça encolher e começar, de imediato, a encontrar razões para não avançar para esse reduto de intimidade.

Por outro lado, se a sua ausência de vontade não se prende com o parceiro, respire fundo e pense: quais são as minhas fantasias? O que me excita? Como me sinto como mulher? Como vivo a minha sexualidade? Conheço o meu corpo sexuado? Se tem dificuldade, pejo, vergonha de, sequer, pensar estas questões para si mesma, é normal que se sinta assim ao partilhar este tipo de informação com o seu parceiro.

Mas sabermos quem somos sexualmente, conhecermo-nos nesse campo, é um passo grande para uma intimidade rica, que se constrói com o outro. Se a sua dificuldade é deste domínio, procure um psicoterapeuta que a possa ajudar a pensar nestas questões e, eventualmente, clarificar algumas outras sobre as quais têm dúvidas ou desconhece de todo as razões.

Mais do que amar ou não amar o seu parceiro, mais do que ter ou não ter vontade de ter sexo com ele, importa saber como se sente como pessoa sexual, desejante, como mulher, como parte de uma relação que se quer com intimidade.

Pode parecer difícil mudar este estado de coisas, sobretudo quando o sexo há muito que é insatisfatório ou inexistente. Mas ter noção da sua sexualidade, conhecer os seus desejos e necessidades é uma responsabilidade sua. Comunicá-las, também. Não há uma fórmula mágica para, ao fim de anos de relação, vermos o sexo com os olhos das primeiras vezes. É importante encontrar essa pessoa que quer sexo, que deseja e que precisa que o sexo seja diferente para continuar a tê-lo.

Às vezes, a falta de vontade de ter sexo com o marido significa qualquer coisa de mais drástico, mais terminal, mais ligada aos contornos de uma relação que terminou. Mas isso, cada uma saberá melhor.

Fotografia: Istockphoto

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