Até ter sido mãe, aos 30 anos, mal olhava para a balança. Quaisquer dois ou três quilos a mais eram resolvidos com uns dias de refeições mais controladas ou uma saída à noite passada na pista de dança.

Mas os anos passam, o metabolismo muda, as hormonas ditam algumas regras e tornou-se mais difícil controlar o peso, nomeadamente aquelas gorduras que gostam muito de se acumular nas ancas e na barriga.

Quando decidi consultar um nutricionista, há dois anos, foi-me apresentado um plano alimentar à medida, que ajustaríamos todos os meses. Nada de dietas radicais, de comer só bananas ou fazer jejuns prolongados (que só me fazem pensar em comer). Incluía refeições apetitosas, variadas, em quantidades bastante razoáveis.

Aprender a comer

Desde esse dia fui aprendendo a comer melhor, a evitar combinações menos adequadas e conhecer as respostas que o meu corpo dá a alguns alimentos. Mas nem sempre os resultados foram os esperados.

Engordei, emagreci, engordei e emagreci. Sem chegar a extremos, mas sem alcançar os meus objetivos. Eu sabia o que fazer, mas nem sempre conseguia cumprir um plano que às vezes parecia simples, outras um pesadelo.

“O que determina o sucesso de uma dieta é o fator emocional”, explicou-me o Dr. Pedro Queiroz que, ao longo deste processo, me foi libertando de culpas quando simplesmente não era capaz de seguir o plano, mas sem me permitir barricar atrás de uma pilha de croissants com creme de ovo.

Por motivos que talvez um dia eu ganhe coragem para vos explicar, passei por fases de grande desgaste emocional, em que me senti muito triste, sem energia para tudo aquilo a que me propunha. E completamente merecedora de enterrar os dentes numa fatia do bolo de chocolate da Landeau. Ou duas. Depois do jantar. Mesmo antes de ir para a cama.

“O que determina o sucesso de uma dieta é o fator emocional.”

O deslize e a culpa

“Imagine: uma pessoa passa o dia na rua, a lidar com pressões e dificuldades. Chega a casa, cansada, trata da família, prepara tudo para o dia seguinte. Vai petiscando sem perceber o que está a comer, até ao momento em que todos se deitam e ela fica sozinha. Precisa de uma compensação. Ninguém está a ver. E lá desaparece uma taça de gelado ou um pacote de bolachas”. É isso mesmo, Dr. Pedro.

Devoramos o pacote de bolachas e, com ele, atiramos a toalha ao chão. Desistimos, afinal não vale a pena tentar emagrecer, não vamos conseguir. A culpa regressa, as calças não caem tão bem e já nem apetece ir ao jantar que está marcado para o dia seguinte.

“Não podemos falar de emagrecimento ou controlo do peso sem analisar o estado emocional. É essa abordagem que vai ajudar uma pessoa a ter controlo e não ceder nos momentos de tentação”

Portanto, mais do que procurar a última tendência das dietas, é fundamental identificarmos o que nos leva a comer e o que nos faz desistir (a Harvard Health dá aqui uma ajuda).

O que a “fome” esconde

Há que parar e pensar. Por que razão comemos? Acalma-nos? Anima-nos? Dá-nos prazer depois de um momento complicado? Em que momentos comemos? O que sentimos depois de comer e de que maneira isso influencia o nosso bem-estar? As respostas a estas perguntas vão-nos dar mais consciência sobre o que está por detrás dos deslizes. E ajudam-nos a antecipá-los.

Ao identificar um padrão, o passo seguinte é tentar quebrá-lo, se possível.

Se precisa de um doce quando está ansiosa, antes de uma reunião importante, há que tentar prevenir ou gerir essa ansiedade. Poderão o exercício e a meditação ser boas opções?

Se fica mal disposta e desanimada depois de se render a duas doses reforçadas de baba de camelo (quem nunca?), será que é mesmo a melhor recompensa no final de um dia de trabalho? Talvez mereça uma sobremesa doce mas mais saudável, sem esquecer a sua saúde e bem-estar.

Aceitar que não somos capazes de tudo, ao mesmo tempo

No meu caso, foi também importante aceitar que, em determinadas fases, uma dieta, mesmo não sendo radical, é demasiada areia para o meu camião, se ele estiver carregado de problemas por resolver. Haverá deslizes e é mesmo assim que tem de ser.

Não exigir demasiado de mim mesma foi o primeiro passo para conseguir chegar ao peso com que me sinto bem.

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