Na segunda-feira, retomei a minha aula de Miss Fight, onde já não punha as luvas há dois meses. A minha rotina de ir três vezes por semana ao ginásio (que estava a ser cumprida) caiu por terra devido a muito trabalho e às doenças da época: uma valente gripe e uma constipação deixaram-me de cama e com dificuldades respiratórias. Ou seja, fiquei sem tempo e mal conseguia respirar fundo.

Mas, chegada a dia 7 de janeiro e apesar de ter ainda alguma tosse, decidi retomar a ida ao ginásio. Tinha dormido bem, alimentei-me bem, estava equipada, preparada para a aula. Sabia que não ia ser pêra doce, mas não esperava que fosse tão difícil.

Fui jogando à defesa e gerindo o esforço mas, mesmo assim, fiquei enjoada e tonta, logo aos 20 minutos de aula. Parei, orientada pela professora, mas tentava sempre voltar: não queria acreditar que estivesse tão fora de forma.

Faltavam 10 minutos para a aula terminar quando eu literalmente deitei a toalha ao chão, escorreguei pela parede, sentei-me no chão. Não podia continuar. E logo no momento de dar murros nos sacos, que era do que eu tinha mais saudades…

 

Frustração, frustração, frustração

Mais do que fraca, eu estava zangada comigo mesma e triste por não ter recuperado, naquela primeira aula, o prazer de que tinha memória. Por me sentir uma versão antiga e enferrujada.

Talvez porque também tenho andado empenhada em desconstruir o mito da motivação, nunca me passou pela cabeça deixar de aparecer. Sei que é o melhor para mim, que me faz sentir bem, mais forte, mais ágil, mais saudável, com menos dores físicas. Só queria continuar.

Naquele momento, percebi que já não estava presa ao objectivo de controlo de peso (que me levou a inscrever no ginásio). Eu quero mesmo voltar a ter prazer no exercício, voltar a gostar de estar ali, sentindo-me capaz de dar conta do desafio.

Este, apesar de ter sido o meu pior dia de sempre de ginásio, foi também aquele que esclareceu um ponto importante: a minha relação com o exercício mudou mesmo e mudou para melhor.

Mas, descobertas à parte, a verdade é que eu devia ter dado mais atenção à minha tosse, respeitado o tempo que estive parada e não exigir tanto de mim de um dia para o outro, numa aula bastante intensa. Não é preciso entrar a matar, até porque, noutra fase da minha vida, teria sido o suficiente para me afastar do ginásio.

 

Ideias para retomar o exercício (a sério)

Depois de um tempo de pausa, é importante saber voltar, não só para evitar lesões ou desmaios, mas também para assegurar que o regresso é para manter. Deixo-vos aqui alguns aspectos a ter em conta para que tudo corra bem:

  1. Começar com treinos leves. Podemos já não nos sentir motivadas por 15 minutos de caminhada na passadeira ou 5 de corrida leve, mas se calhar é o melhor caminho para por a máquina a mexer. É importante acordar o nosso corpo com calma e em progressão, para evitar bater contra uma parede, tal como aconteceu comigo.
  2. Aceitar as limitações do nosso corpo. Naquele dia de regresso, ele vai-nos dando sinais de que está mais ou menos preparado para certo tipo de esforços. Essas limitações têm de ser respeitadas. Não aguentamos tanto tempo de prancha, ficamos sem ar porque a gripe nos deixou afectadas ou perdemos técnica porque passámos meses com o rabo no sofá a comer rabanadas. É assim que estamos, mas não é assim que vamos ficar.
  3. Definir um plano realista. Uma, duas, três, vezes por semana; ao acordar ou ao final do dia. Seja qual for a cadência e o horário dedicado ao exercício, é essencial que isso resulte do um plano realista que consigamos executar. Se pomos a fasquia desde logo muito alta, estamos a abrir caminho para a frustração.
  4. Acreditar que vamos conseguir voltar à forma. E talvez ainda melhores. Pelo que um dia me explicou o PT Pedro Almeida, do Treino em Casa, o nosso corpo vai acumulando memória em relação ao exercício. Por isso, tempo que antes dedicámos ao desporto não é dado como perdido: irá ajudar-nos a retomar a condição física mais rapidamente do que se nunca nos tivéssemos exercitado com regularidade. É só não desistir.
  5. Encontrar actividades que nos divirtam. É fundamental gostarmos do tipo de exercício a que nos propomos. Eu adoro esta aula de Miss Fight e quero mesmo continuar a praticá-la. Há que descobrir a dança, o judo, a zumba, o pilates, a corrida ou a natação. Ninguém merece submeter-se a uma rotina que não lhe dá qualquer prazer. Gostar é meio caminho andado.
  6. Partilhar a experiência. Quer seja com as colegas “desconhecidas” da aula ou conseguindo recrutar amigas para uma ida ao ginásio, é importante falar do que se sente, da experiência de cada uma (de preferência fora da aula :)). Não só nos inspiramos com as histórias dos outros como, ao dividir a nossa, percebemos que não estamos sós. Todas as pessoas passam por altos e baixos, por limitações. O objectivo é manter o foco, independentemente da turbulência.

Amanhã vou fazer uma nova aula e estou a planear para sábado uma caminhada ao ar livre, em passo acelerado, com uma amiga. Baby steps, mas sem recuar.

🙂

Vamos a isso?

2 Replies to “É duro voltar a fazer exercício (sem desanimar)”

  1. Totalmente de acordo, reforço apenas o facto de ser muito importante que o regresso seja regular e consistente! Se isso acontecer os resultados físicos acontecem com naturalidade e por conseguinte a motivação aumenta. 💪

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *