Queridas leitoras, hoje abrimos as portas da Liiv, oficialmente, aos homens da vossa vida. No que diz respeito a contracepção, nomeadamente a cirúrgica, o ónus continua a estar mais do lado da mulher, mas é muito importante, até por razões de saúde, envolver cada vez mais os homens na decisão, seja ela qual for.

A verdade é que conheço muitas mulheres que, não querendo ter mais filhos, laquearam as trompas, mas muito poucos homens que tenham decidido fazer uma vasectomia (ou estejam receptivos a ela).

Se nos Estados Unidos e no Reino Unido, este é um procedimento comum, em Portugal e noutros países latinos ainda é coisa para assustar muito homem. Não só pelo calafrio natural de se sujeitar a um procedimento cirúrgico, mas porque fogem a sete pés da mais pálida sugestão de ataque à sua virilidade.

Por isso, em tom de serviço público e para que todas as opções estejam em cima da mesa, com os seus prós e contras, deixamos aqui algumas informações e também o testemunho de um homem que sobreviveu a uma vasectomia.

Vá, rapazes, respirem fundo, não vai doer nada.

 

A vasectomia pode tornar-me impotente?

Não. Este procedimento não envolve a parte mecânica. Na vasectomia, os canais por onde os espermatozóides passam no momento da ejaculação são bloqueados, fazendo com que não cheguem a conhecer a luz do dia. Portanto, não, a resposta sexual não é afectada, as erecções não perdem frequência ou intensidade.

“Tal como muitos amigos meus, eu tinha muito receio de deixar de ser sexualmente activo. Mas informei-me e percebi que podia avançar sem medos. Queria ter mais tranquilidade, menos preocupações na minha vida sexual. A minha mulher não se dava bem com a pílula, nem com outros métodos que envolvem hormonas, e preferimos não usar preservativo… Foi o melhor para nós.”

Sugiro que vejam este vídeo, que é muito esclarecedor sobre a anatomia masculina e a vasectomia.

 

Posso ficar com a líbido diminuída?

Não. A vasectomia não mexe com os testículos nem com a parte hormonal. Por isso, nesta perspectiva, não mexe com o desejo sexual. Seja como for, é sempre importante lembrar que a libido depende de vários factores, muito deles de foro psicológico.

“Hoje temos uma vida sexual bem mais animada, sem o stress de poder engravidar. Como estamos mais descontraídos, estamos mais disponíveis para o sexo, sem ter de pensar no preservativo ou em interrupções forçadas. Ganhámos alguma liberdade e isso teve e um bom impacto na nossa intimidade.”

Dói muito?

Há algum desconforto. É um procedimento feito em ambulatório, durante meia hora, e que envolve anestesia local. Naturalmente, sente-se a picada da agulha fina da anestesia e alguma manipulação no local, mas nada de relevante do ponto de vista da dor.

No pós-operatório pode haver também algum desconforto e inchaço na zona do procedimento, nada que não se atenue com a aplicação de um pouco de gelo e analgésicos. É também normal haver alguma sensibilidade nos testículos, mas que passa ao final de uma semana, mais coisa menos coisa.

“Senti os testículos doridos, mais de um lado do que do outro. No primeiro dia, fui pondo um saco de água fria de meia em meia hora e descansei. Não cheguei a ter dor mesmo, mas um incómodo, que deu para gerir.”

Em casos mais raros, pode haver um desconforto regular, permanente, na zona do escroto, ou então um hematoma relevante que pode merecer a atenção de um médico.

 

Quando posso voltar à acção?

Uma semana sem ejaculações é o mais indicado para garantir uma boa recuperação. Mas, atenção, quando voltar a ter relações sexuais não se esqueça do preservativo! A vasectomia não tem resultados imediatos.

“Já fiz a vasectomia há três anos e tenho feito um espermograma por ano para assegurar que está tudo bem.”

É preciso aguardar 20 ou 30 ejaculações (ou três meses) para não ter espermatozóides a passear de um lado para o outro. Mesmo assim, não vá à confiança só porque o tempo previsto já passou: é preciso fazer uma análise ao sémen para verificar se há ou não espermatozóides. Fazer dois espermogramas é o ideal para garantir a eficácia da vasectomia.

 

Vou continuar a ejacular?

Sim, tudo vai acontecer como está habituado. A única diferença é o conteúdo da ejaculação, que deixa de ter espermatozóides na sua composição. Mas, convenhamos, a não ser que tenham visão de super-herói, calculo que nunca tenham dado por eles.

“Fica tudo igual, na mesma. Era a minha dúvida final, mas é verdade, não muda nada.”

Qual é o benefício face à laqueação?

A vasectomia é a forma de contracepção cirúrgica mais eficaz e é tida como definitiva. É menos invasiva do que uma laqueação de trompas, é menos dispendiosa e apresenta menos riscos de complicações.Uma delas é a ocorrência de uma gravidez ectópica (óvulo fertilizado implantado fora do útero), algo que é considerado uma emergência médica.

 

Para mais detalhes, nada como marcar uma consulta com um urologista e tirar todas as dúvidas. Nesta, como noutras questões, informação é poder. O medo e o tabu não ajudam nenhum casal a ser mais feliz.

 

Fotografia: Istockphoto

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