É um facto que as questões do foro mental estão ainda envoltas num estigma social que as torna ainda mais difícil de gerir. É outro facto que as pessoas que sofrem com estas questões têm dificuldades várias em pedir ajuda, seja por desconhecimento ou impossibilidade, seja por não conseguirem assumir que estão mais fragilizadas ou mesmo doentes.

Aqui na Liiv somos firmes crentes nos efeitos da psicoterapia. Sei por experiência o que significa estar num processo terapêutico como paciente e, em parte, sou produto de anos de trabalho sobre mim mesma, a este nível. Não é fácil, não é simples, mas é o melhor que podemos fazer por nós e pelos pesos que carregamos.

Mas porque sabemos que a psicoterapia está igualmente envolta numa série de mitos e ideias feitas que não correspondem à realidade, deixamo-vos com o desatar de alguns nós sobre o processo. É uma clarificação que, esperamos, tenha um impacto positivo na vossa tomada de decisão, se for o caso.

 

“Quem vai à terapia é fraco”

Quem vai à terapia tem uma aflição e quer aprender a lidar com os seus pensamentos e emoções. É um facto. Não saber lidar com esses pensamentos e emoções é considerado fraco. É outro facto, este sim, triste. Porém, para nós aqui na Liiv, fazer terapia, pedir ajuda, significa que há vontade de melhorar, é uma acção que tomamos no sentido de bem-estar e isso só nos acrescenta valor, nunca retira.

Na verdade, pedir ajuda requer mais energia e força que ficar sentado e passivo. Por vezes, escondemo-nos atrás de ideias feitas porque temos medo de começar a falar do que nos dói.

 

“A terapia é muito cara”

O que é caro ou barato depende de duas coisas: do dinheiro que temos e do valor que damos ao que temos de pagar. O preço é um factor que impede muita gente de fazer terapia, porém, há várias associações pelo país que fazem preços mais baixos ou estabelecidos de acordo com o IRS de cada um.

Sugerimos, ainda assim, que pensem no seguinte: de todas as vossas despesas, quais delas são destinadas à nobre missão de vos fazer sentir bem? Falo de coisas como carros, roupa, viagens, coisas materiais que nos dão conforto. Desse dinheiro, podem dispensar uma parte para um processo que, igualmente, vos pode fazer sentir bem, com energia, com força para enfrentar a vida e o que ela traz, de forma sustentada e perene?

O preço das coisas e o valor que elas têm para nós é uma questão puramente individual. Se a terapia me traz coisas boas que acrescentam à minha qualidade de vida, e colocando na balança o custo e o benefício, então, de todo, não é cara.

 

“Não preciso de terapia, tenho bons amigos com quem falar”

A nossa rede de apoio social é muito importante, os amigos podem ser fontes de amor e compreensão e isso é inestimável. Ainda assim, por mais que consigamos chegar a eles e eles a nós, não são psicoterapeutas. A relação que se estabelece com um terapeuta tem contornos diferentes, começando, desde logo, pelo facto de serem pessoas treinadas para estar com pacientes num ambiente clínico e têm formação para diagnosticar e tratar questões do foro mental e emocional.

Além disso, os 50 minutos de uma sessão de psicoterapia são inteiramente do paciente, durante os quais falará do que lhe apetecer. Esse tempo não tem de ser dividido com as opiniões, sugestões e comentários de amigos, por mais bem intencionados que sejam.

E, por fim, e este é uma razão muito importante, os terapeutas estão obrigados a uma confidencialidade que é “sagrada”, um traço que não existe obrigatoriamente nas relações de amizade.

 

“A terapia é só para quem tem problemas graves”

Há muito quem acredite que a terapia serve apenas as pessoas com perturbações graves ou psicopatologias complicadas, mas isso não é verdade. O que é grave e complicado depende do modo como cada um sente os seus pesos e as suas dores, independentemente de haver quem tenhas pesos e dores mais complicadas ou doenças graves.

A terapia acolhe todos os que quiserem saber mais sobre si mesmos e não há vergonha nenhuma em procurar ter uma vida interior melhor.

 

Há por aí alguém com experiências de psicoterapia, que queira partilhar connosco?

Fotografia: Istockphoto

3 Replies to “Psicoterapia: verdades e mentiras”

  1. Faço parte de uma família , desta dita classe média , somos cinco , três filhos.
    Rendas de casa e tudo o resto , faculdades e ordenados de funcionários públicos.
    Não tenho muito por onde cortar pq não fazemos nada de especial.
    Psicoterapia sim , uma ajuda fundamental ,passa -se aqui por casa . Ajuda se ajuda.
    Mas comoooo aguentar sessões semanais a 50 euros cada durante um ano ??? E depois logo se vê …tenho um filho nesta situação , sei q não consigo aguentar muito tempo esta despesa ,não se trata de prioridades …
    Podiam dar indicação de sítios ou dessas ditas associações sff
    Obrigado

    1. Olá, entendo bem o que diz. O dinheiro não estica mas, as vezes, as urgências chegam todas ao mesmo tempo…
      Para psicoterapia a preços mais baixos pode contactar o ISPA (http://clinica.ispa.pt/) ou a Faculdade de Psicologia de Lisboa (http://www.psicologia.ulisboa.pt/servico-a-comunidade/servicosclinicos-2/), ambas têm clínicas que prestam esse serviço, ou a Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica (https://www.apppp.pt/pt/consultas), que tem uma Bolsa Social para quem precisa de pagar menos. Se precisar de mais alguma informação, disponha. E um beijinho nosso.

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