Uma das melhores aprendizagens que podemos fazer é a ouvir o que diz o nosso corpo. Pode parecer estranha a frase mas, acreditem em mim, o corpo fala connosco. Não com a nossa linguagem, do nosso modo, mas, à sua maneira e com as suas palavras, ele diz-nos coisas que, de forma muito clara, se manifestam e nos dão informação valiosa.

Regra geral, andamos tão ocupadas com a vida que nos esquecemos que temos um corpo. À excepção das questões estéticas de peso, só a saúde e a dor nos mantêm alertas para o modo como cuidamos dele. Não é suposto sentimos dor ou desconforto constantes. Se eles existem, é sinal de que alguma coisa não está bem, à qual devemos dar atenção.

Mas o que significa o cliché “ouve o teu corpo”? O que é suposto fazermos? Ao que é que devemos estar atentas? Se formos honestas connosco mesmas, saberemos. Se não, a que acham que se devem as constantes dores de cabeça? As infeções urinárias? As gastrites crónicas? As úlceras pépticas? O intestino inflamado? As dermatites?

E tantas outras condições que, não tendo proveniências mais graves, nascem de um estilo de vida que, muitas vezes sem percebermos, “escolhemos” sem grande cogitação. Todas estas condições acima descritas podem ter outras razões, mas os consultórios médicos estão cheios de pessoas que as têm como resultado de escolhas que o corpo não consegue, nem deve, acompanhar.

Perante a evidência, e enquanto a dor ou o desconforto for gerível, vamos aguentado, persistindo apesar delas, ignorando os constantes sinais e a óbvia ligação entre o nosso modo de vida e a forma como ele se reflecte no corpo. Ou acham que tudo é “azar”, “genético”, “crónico”, algo que “um dia passa”?Até pode ser, mas a probabilidade de estarmos a fechar os olhos e os ouvidos a um corpo que é nosso e nos grita por ajuda face às consequências de um estilo de vida que não nos serve, é bastante maior.

Dormem pouco? Comem mal? Têm uma vida sedentária? Andam sempre zangadas? Tristes? Vivem a vida a 100 à hora? E como se sentem por sentirem que o peso do dia-a-dia caem todo em cima de vós? E o que acham de trabalhar até tarde todos os dias? E, tão importante quanto o que pensem, o que é que o vosso corpo vos diz sobre isso?

Uma dor de cabeça pode ser só uma dor de cabeça, mas se ela é constante, então há que ver em que momentos se manifesta e de que modo. Por isso, e para que possamos perceber os sinais que o corpo nos dá, importa fazer o seguinte:

  1. Todos os dias, tirem 10 minutos para se sentarem sossegadas, calmas e sentirem o vosso corpo. Há alguma coisa que vos doa? Desconforte? Perturbe? Não estou a falar de sensações geríveis, refiro-me a algo que, mesmo que consigamos aguentar, não deveria dar sinal de si. Se não existir nada de registo, óptimo. Apontem onde quiserem a data, a hora, o local e o observado. Se existir, façam o mesmo e detalhem o que sentem.
  2. Pegando no exemplo das dores de cabeça, pensem: em que momento ou alturas são mais frequentes? Antes de começar a dor de cabeça, estava a falar com quem? Estava a fazer o quê? Qual era o assunto?
  3. Além das sensações físicas, tentem perceber quais as emoções associadas a essa dor. Quando ficaram com dor de cabeça, como se sentiam? Tristes? Zangadas? Ansiosas? Expectantes? É importante perceber essa ligação entre corpo e mente e entender que emoções e estados físicos estão indelevelmente ligados.

São precisos apenas 10 minutos por dia para mapearem as sensações do corpo. É assim que aprendemos a ouvi-lo, a comunicar com ele e a tomar decisões mais informadas. São pequenos passos com potencial de transformação que levam a uma vida mais saudável, física e emocionalmente. É importante percebermos que todas as nossas decisões, conscientes e inconscientes, têm uma tradução no corpo e é nossa a responsabilidade de nos nos conhecermos e tirarmos daí conclusões.

E, claro, se os sintomas persistirem, procurem um médico. Essa mensagem do corpo é a mais importante de todas.

Fotografia: Istockphoto

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