Tenho a firme convicção de que, à excepção de problemas de saúde, os quilos a mais que estacionam nosso corpo vêm de um lugar de maus hábitos e não, necessariamente, do potencial calórico do que comemos.

Não é o açúcar que é um “veneno”, é o hábito de comer mais da conta que nos faz engordar. Não é o pão “que faz barriga”, é aquela torrada com manteiga que decidimos comer todos os dias que não nos deixa apertar as calças ao fim de um mês.

Não gosto de atribuir emoções ao meu comportamento alimentar nem adjectivar as coisas que como. Sinto que isso me desobriga de ser responsável pela minha saúde, pelo meu peso, e faz-me entrar num piloto automático que não me ajuda em nada. Por isso, decidi elencar alguns hábitos em que facilmente caímos e que têm pouco a ver com o decidimos comer mas muito com o ritmo de vida que temos.

Ansiedade e stress

É das razões que mais nos levam a comer, das que operam de forma mais inconsciente e uma “pescadinha de rabo na boca” que só pode terminar no momento em que nos damos conta de que existe. Quanto mais ansiosas e stressadas, mais o cortisol aumenta, mais “fome” temos, mais comemos, mais ansiosas ficamos porque varremos o frigorífico enquanto fazíamos o jantar. É o corpo em guerra connosco mesmas, nós a reagir com a ingestão de tudo o que seja açúcar e a balança e as análises (em muitos casos) a avisar que há qualquer coisa que não está bem.

O que fazer? Mudar de hábitos, ter consciência do que se come, quando se come, manter um diário alimentar até encontrarmos um padrão de excessos e, claro, saber de onde vem o stress e a ansiedade. Não há perda de peso a longo prazo sem registo e informação sobre o que nos faz querer comer o mundo.

Falta de sono

Além de todas as consequências que advêm de dormirmos pouco ou mal, a ausência de descanso faz com que o corpo tente compensar o cansaço com a ingestão de comida, sobretudo o açúcar e a cafeína, que são o que nos dá a sensação de controlo sobre o cansaço, embora isso não seja real.

O que fazer? Dormir, claro. Tentar não estimular o cérebro antes de dormir, fazer exercício ao final do dia, de modo a cansar o corpo e a mente, e tentar perceber de onde vêm as insónias e a má qualidade do sono. Num contexto normal, saudável, o corpo tem necessidade de descanso. Se não estamos a conseguir fazê-lo, é porque algo na nossa mente precisa de regulação. Descubra o que é, peça ajuda a um psicoterapeuta e melhore as suas noites.

Falta de exercício físico

Nestas coisas, como em tudo o resto, não há milagres. Se comemos mais do que gastamos, a gordura acumula-se. A prática de exercício é fundamental para tudo na vida, sobretudo para regular o corpo face ao que ela nos traz. Não há nada que não melhore quando um corpo se mexe – energia, auto-estima, controlo de ansiedade e stress, controlo de peso, só para referir as mais óbvias. Levei muito tempo (demasiado) a perceber isto mas agora não quero outra coisa. E até me esqueci do peso.

O que fazer? Não precisam de ir a correr inscrever-se num ginásio, a não ser que queiram muito. Pensem: gosto de fazer exercício? Sim? Qual? Onde posso praticá-lo? Não gosto de fazer exercício. O que é que tolero mais? Nada? É indiferente, tem mesmo de se mexer. Pela sua saúde.

 

Tudo isto são decisões que pode tomar sem sequer pensar em comida. E, garantidamente, são mudanças que se vão notar, e muito, no vosso bem-estar e na balança. Além destas, existem outras pequenas mudanças que também ajuda – comer num prato mais pequeno, controlar as porções, por exemplo – mas, sobretudo, se baixarem os níveis de stress e ansiedade, dormirem bem e praticarem exercício regular, o corpo agradece e tudo funcionará melhor.

Fotografia: Istockphoto

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