Como tantas outras mulheres, comecei a sentir o efeito das hormonas na adolescência, quando tinha de ir para o liceu com um borbulha gigante na testa ou me sentia a flutuar cada vez que um certo aluno do 9ºD passava por mim.

Depois, numa certa fase do ciclo menstrual, quando me transformo numa espécie de porteira do frigorífico, sei que são as hormonas que me aumentam o apetite. E nunca irei esquecer os momentos de alegria intensa que vivi quando me puseram os meus filhos no colo (abençoadas hormonas).

Se olhar à minha volta, vejo mulheres com problemas na tiróide e na hipófise, outras que tiveram de retirar os ovários, e que assim se vêem privadas do pleno funcionamento de algumas das principais glândulas produtoras de… hormonas.

Mas, apesar de o seu impacto ser mais evidente na puberdade, na gravidez ou na menopausa, as hormonas controlam o nosso corpo todos os dias. Sim, todos os dias. Por isso, decidimos investigá-las.

 

O que são e porque mexem tanto connosco

As hormonas são substâncias, produzidas por glândulas, que viajam pela nossa corrente sanguínea carregando “mensagens” para diferentes partes do nosso corpo. Elas conseguem assim actuar sobre processos celulares que condicionam o nosso apetite, crescimento, função reprodutora, stress, ciclo do sono, alegria, líbido, entre muitos outros.

Em suma, têm um efeito tremendo no nosso bem-estar físico e emocional.

São tantas, e tão importantes, que precisaríamos de muito tempo e detalhe para falar de todas elas. Mas deixo-vos aqui alguma informação sobre as que mais vezes entram no nosso vocabulário.

 

As hormonas sexuais

Estrogénio. Produzida pelos ovários, é a principal hormonal sexual feminina. É por causa dela que entramos na puberdade, é ela que prepara o corpo e o útero para a gravidez e regula também o ciclo menstrual. O estrogénio tem efeito sobre o sistema nervoso, o fígado, o coração, a saúde da pele e os níveis de colesterol. Durante a menopausa, é a quebra na produção de estrogénio que gera muito do desconforto físico associado a esta fase (os afrontamentos, a nova distribuição de gordura corporal, por exemplo).

Progesterona. É a outra hormonal sexual feminina, também conhecida como a hormona da gravidez. É produzida pelos ovários e, durante a gestação, pela placenta (em doses industriais). É a hormona que prepara o peito para a amamentação e que impede a ovulação (daí ser o ingrediente mais comum das pílulas contraceptivas).

Testosterona. Pensavam que era só coisa de homens? Pois não é. As mulheres também produzem esta hormona (nos ovários e nas glândulas supra-renais, localizadas acima dos rins), mas em pequenas quantidades. Durante a menopausa, uma quebra da produção desta hormona pode provocar uma diminuição do desejo sexual. Nos homens, a testosterona é produzida pelos testículos e é responsável pelas alterações físicas na puberdade. Actua sobre a densidade óssea, a massa muscular e a capacidade de ter ou manter uma erecção.

 

As hormonas da felicidade

Dopamina. É a hormona (e neurotransmissor) associada ao movimento e ao prazer, com um papel importante no sistema de recompensa do cérebro. Conhecem aquela sensação de prazer quando conseguimos alcançar um objectivo? É a dopamina a dar um ar da sua graça. Além disso, estudos apontam para a relação dos níveis de dopamina com a personalidade: pessoas mais extrovertidas registam valores mais elevados.

Serotonina. Mais uma hormona e neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e pelo bom humor. Níveis baixos de serotonina estão associados à depressão, pelo que é sobre esta hormona que atuam os antidepressivos. Pessoas com baixos níveis de serotonina podem apresentar pouca energia, líbido diminuída, tristeza e sono irregular (já que a serotonina está na origem da produção de melatonina, a hormona que regula o sono).

Ocitocina. Produzida pelo hipotálamo, é outra hormona poderosa que actua como neurotransmissor no cérebro. Está associada à empatia e à generosidade, ao vínculo entre mãe e bebé e até à produção de leite. Digamos que é a hormona do amor: ajuda-nos a estabelecer uma relação de confiança e intimidade com o outro e está muito presente no orgasmo, no parto e na amamentação.

Endorfina. Outra hormona, produzida pela hipófise, que queremos ter em quantidade adequada. Funciona como uma espécie de analgésico, um atenuante da dor, e apazigua-nos em momentos de stress. Está ligada ao prazer e ao bem-estar e aumenta, por exemplo, com a prática de exercício físico (aquela pica com que saímos do ginásio? É a endorfina).

Deixando para trás o grupo da felicidade e do prazer, não podíamos esquecer o cortisol, uma hormona muito importante. Ela é libertada pela glândula supra-renal e aumenta em momentos de stress, dando ao nosso corpo um boost natural de energia (aquele de que precisaríamos para fugir ou reagir a uma ameaça). Níveis demasiado altos de cortisol estão associados a queda de cabelo, aumento da gordura abdominal, tensão alta, osteoporose, dificuldade em engravidar, entre outros.

 

Pequenas oscilações, grandes problemas

Detectar e diagnosticar um problema hormonal não é coisa para leigos, nem para ser feito em meia dúzia de pesquisas na Internet. São muitas as interacções entre as hormonas e outros sistemas do nosso organismo (nomeadamente o imunitário) e é importante que um especialista analise cada caso em detalhe.

Se acha que poderá ter níveis demasiado altos ou baixos de uma hormona (ou acha que sofre de fadiga adrenal, em relação à qual ainda não há consenso médico), o melhor é recorrer a um endocrinologista, tirar todas as dúvidas e desenhar, com ele, um plano de equilíbrio hormonal que irá variar, muito provavelmente, com o passar dos anos.

 

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