Já perdi a conta ao número de amigas a quem disse, de forma veemente, “VAI AO GINECOLOGISTA!”. Eu até entendo que não seja a melhor coisa do mundo, compreendo que seja desconfortável, mas depois de, literalmente, ter salvo a minha vida devido a um exame de rotina, este assunto tornou-se sensível e ajo sobre ele deste modo, franco e sem grande diplomacia.

Não vale a pena perdermos tempo a pensar se gostamos ou não de abrir as pernas para uma citologia. Esqueçam. Façam-no e assunto encerrado. Há quanto tempo não vão ao médico? Há quanto tempo não fazem uma palpação da mama? Há quanto tempo o vosso corpo está a dar sinais de que algo está errado? Estão à espera do quê, que passe sozinho? Não vai acontecer.

A semana passada, uma querida colega que HÁ ANOS não fazia exames descobriu que tinha um mioma enorme no útero. Tão grande, que teve de abrir a barriga para o tirar e ficar um mês em recuperação.

O meu colo do útero já me mostrou, por duas vezes, que há coisas das quais fugimos que nos podem causar a morte. E não estou a exagerar porque, se o tivesse feito, se tivesse escolhido esperar e adiar pela enésima vez qualquer coisa que sei ser da minha responsabilidade e obrigação, não estaria aqui a pressionar-vos para cuidarem de vós. Estaria morta por doença oncológica.

Não vale a pena arranjamos desculpas para esta nossa falta de noção e infantilidade. Bem sei que as nossas mães não falaram connosco sobre isto, que não temos essa hábito, que a vida isto e aquilo, mas a verdade é só uma: desleixo. Puro e duro.

Também concorre para este desleixo a falta de hábito de falarmos destas questões. A saúde ginecológica parece estar envolta numa névoa de vergonha e recato que não fazem sentido. É o nosso corpo, a nossa saúde! Mais depressa conhecemos a anatomia masculina que a nossa!

Acham que exagero? Vejamos: sabem quais são os 5 tipos de cancro ginecológico mais frequentes? Sabem qual é a configuração do sistema reprodutor? Qual é a diferença entre a vagina e a vulva? E o períneo, onde fica localizado? Estas e outras questões servem apenas um intuito: conhecer o nosso corpo.

Se acham que estou a ser bruta e exagerada, basta conhecerem as estatísticas, que encontram numa pesquisa rápida no Google. Mas se percebem o meu ponto neste texto de tom meio abrutalhado, façam um favor a vós mesmas, caso não o tenham feito já: marquem uma consulta no ginecologista e, mais que não seja por descargo de consciência, façam exames de rotina.

A saúde ginecológica também é saúde. Sejamos crescidas e responsáveis.

Fotografia: Istockphoto

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *