Desde que me  conheço por gente que sempre fui noctívaga. Apesar de ter ali uma quebra pelas 20:00, há qualquer coisa em mim que desperta a partir das 22:30: sou mais criativa, mais atenta a pormenores, mais focada para ter uma conversa difícil. E sou assim, segundo a minha mãe, desde que nasci.

Naturalmente, com o ritmo exigido por uma vida adulta “normal”, tive de fazer alguns ajustes: deitar mais cedo e levantar mais cedo (houve um tempo em que acordava às 03:45, mas sobre esses dois anos falaremos noutro dia). Com o nascimento dos filhos, a coisa ainda se agravou mais: menos horas de sono, mas o mesmo horário para saltar da cama.

Esta tem sido, sem dúvida, uma das minhas batalhas pessoais nos últimos anos: disciplinar-me para me deitar mais cedo e aproveitar todo o tempo possível para descansar, mesmo em horas que não me são naturais. Mas uma coisa são as intenções, outra é a prática…

 

Cansada mesmo dormindo mais

Andei a brincar com o fogo, que é como com diz com o sono, durante muito tempo. Irregular, compensado aos fins de semana. Escolhi várias vezes terminar um livro em vez de adormecer de imediato, ou ver mais um episódio de uma série apesar de já ser meia-noite (mas estavam todos deitados, era aquele momento só para mim, percebem, certo?).

Seja como for, comecei a perceber que a falta de rotina de sono criou um défice permanente do qual já não estava a conseguir sair. E, como na história do ovo e da galinha, a minha ansiedade aumentou; ou foi a falta de descanso que a exponenciou. Tinha menos energia para fazer exercício, algo que me ajuda a todos os níveis, e todo o quadro se agravou.

Ao tomar consciência disso, passei de imediato à prática, já com um belos episódios de enxaquecas no meu historial recente. Deitei-me mais cedo e, como adormeço, com facilidade, passei rapidamente das 6 horas diárias para as 9 horas diárias. Resultado: continuava a acordar cansada.

 

A vida continua de noite

Procurei ajuda e ouvi o seguinte: “Nós dormimos como vivemos. Se você anda ansiosa e acelerada, vai dormir ansiosa e acelerada, mesmo que consiga adormecer com facilidade. É a qualidade do sono que está em causa, não a quantidade.”

Ora bem, sabem quando alguém vos diz uma coisa óbvia, que vocês no fundo até já sabiam, mas que ali faz mesmo todo o sentido e sabe a verdade? Pois, foi este o caso. Percebi que andava a sonhar imenso, que dormia agitada e que estava a tentar recuperar o cansaço através de uma solução que não era a melhor ou, pelo menos, a mais completa.

Tenho andado a fazer mais ginástica, a comer com mais calma e foco, a desacelerar na medida em que consigo e a brincar mais com os meus filhos (coisa que me coloca numa espaço livre, sem pressões ou julgamentos, e que estou a transformar no meu mindfulness caseiro). Uma semana depois destas pequenas mudanças – acompanhadas por menos Netflix noturna, claro -, ando a dormir melhor e a acordar com mais energia. Fui medicada para as enxaquecas, já terminei a medicação e sinto-me mais estável.

Dava imenso jeito termos um botão de volume, que nos ajudasse de imediato a regular a forma como lidamos com as emoções, mas isso requer tempo e muito trabalho interior. Acho que já estou bastante melhor nesse campo e isso, para mim, já é motivo de orgulho.

E vocês? Como andam a dormir? Pouco mas bem? Em défice? Ou fazem sonos adolescentes de 12 horas? Dormir é uma necessidade básica à qual temos de estar atentas. Procure um médico especialista e/ou um psicoterapeuta e veja qual é a melhor solução para si, evitando a auto-medicação desregulada.

Temos de viver bem para dormir bem, não se esqueça.

🙂

Fotografia: Istockphoto

One Reply to ““Dormimos como vivemos””

  1. Olà Liliana. Eu durmo mal desde que sou bebe ( tenho quase 36 anos). O sono com melhor qualidade é a partir das 5h/6h da mamhã. Claro que isso nao é compativel com “uma vida adulta e normal”, no entanto nao encontro resposta em especialistas, nem terapias, nem em tecnicas de meditação. Adoro deitar cedo e acordar cedo mas às vezes pergunto-me se nao será contrariar o meu bioritmo. Em épocas começo a ficar ansiosa depoois do jantar porque sei que terei de enfrentar uma nova insónia. É muito cansativo viver assim e si to que estou a roubar saude e anos de vida à minha vida por causa desta ” sonofobia”. Um abraço e obrigada por falar de sono

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