Há cerca de 10 anos, numa visita de rotina ao dentista, este perguntou-me: “tem bruxismo?”  Sem fazer ideia do ele que falava, arrisquei um “não, acho que não.” Nunca mais me lembrei do tema até que, seis meses depois numa nova consulta, a questão se colocou de novo: “tem a certeza que não tem bruxismo?”

Antes de continuar, um esclarecimento: bruxismo é o hábito involuntário de ranger os dentes, sobretudo durante o sono. E, pelo estado dos meus dentes, com claros sinais de erosão, como que falhados, e a contratura no maxilar direito, eu estava há bastante tempo a ranger os dentes durante a noite sem ter noção disso.

Uma das causas principais do bruxismo prende-se com os elevados níveis de stress e ansiedade, condições que me são familiares. Por isso, quando o dentista abordou o assunto, de imediato me lembrei das dores no maxilar e na cabeça com que, há meses, acordava de manhã.

Causas e efeitos

Além das emoções que reprimimos e cujo efeito se manifesta a este ponto, o bruxismo também pode ser sinal de problemas no sono, como a apneia, ou com os dentes, como a falta deles, por exemplo. Os sintomas mais comuns são a dor de maxilar e de cabeça, e a erosão dos dentes. Por isso, se algum sinais vos estiver a incomodar ao ponto de bulir com a qualidade do sono ou causar dores, marquem uma visita ao dentista. Se a causa for do seu domínio, é provável que vos recomende uma proteção dentária com a qual deverão dormir. Experimentei-a mas comigo não resultou. Resguardava os dentes, de facto, mas não deixei de os ranger.

Se a causa for outra, emocional, tentem perceber a raíz do que vos está a deixar assim. O bruxismo é um subproduto da ansiedade, é uma forma de o corpo nos dizer que alguma coisa não está bem, algo ao qual precisamos de dar atenção. É uma somatização de uma condição interna a manifestar-se no corpo exterior.

O mais comum é esse ranger acontecer durante o sono, mas há muito quem o faça mesmo acordada. Se for o vosso caso, tentem perceber em que situações, ou tipo de situações, isso acontece. São contextos profissionais? Familiares? Em discussões? Quando estão inseguras? Por exemplo, é muito comum que mães de primeira viagem ranjam os dentes quando os bebés choram.

Sendo uma consequência da ansiedade, o bruxismo pode, ainda assim, parecer de somenos mas a degradação dos dentes – erosão, falta de esmalte e outras condições associadas – é um catalizador de mau-estar e, em casos mais graves, de falta de saúde mental.

Eu continuo a ranger os dentes mas já com menos frequência. Aceito que isso aconteça em períodos de maior confronto emocional, mas as causas estão identificadas e isso fez com os efeitos do bruxismo diminuíssem.

Alguma de vocês sofre de bruxismo? Já identificaram o padrão? Como tratam do assunto?

Fotografia: Istockphoto

One Reply to “Bruxismo: um subproduto da ansiedade”

  1. Olá:)
    Sofri durante muitos anos de bruxismo noturno e diurno.
    As dores de cabeça e no maxilar eram brutais.
    Comecei a perceber que a maioria das vezes acontecia em contexto laboral, quando não podia dizer exatamente o que me apetecia 🙂
    Era de tal ordem, que cheguei a partir um dente.
    Aprendi com o meu dentista alguns exercícios para, numa primeira fase, minimizar os efeitos durante o dia.
    Neste momento só tenho bruxismo à noite.

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