No decorrer da minha formação em psicanálise, tenho visto vários casos de pacientes que sofrem de Transtorno Afectivo Bipolar. É uma psicopatologia que traz bastante sofrimento, muita angústia e que, ao contrário da opinião popular, não significa “agora dizer uma coisa e logo a seguir fazer outra”.

Ter um transtorno bipolar não é uma porta de saída para o que se quer ou não quer fazer. Achar-se que uma mudança de opinião corresponde a uma doença mental é uma crença que só pode estar assente no desconhecimento e numa certa ignorância que dá jeito manter.

Dizemos que fulano de tal é bipolar porque tem atitudes opostas que não conseguimos explicar; que ora está bem, ora está mal e isso nos confunde; mas esta doença mental tem bastante mais nuances do que parece.

Por isso, e para que não desatem a chamar bipolar à próxima pessoa cujas atitudes pareçam incongruentes, eis alguns detalhes que é importante saber:

  1. O transtorno bipolar, também designado por doença maníaco-depressiva, caracteriza-se por variações acentuadas de humor, que oscilam entre a depressão e a “mania”.
  2. As crises repercutem-se, sobretudo, na expressão de emoções, ideias, comportamento e leva a um decréscimo da saúde e autonomia.
  3. Os sintomas variam consoante o tipo de crise. Quando em estado maníaco, o principal sintoma é o humor eufórico, irritável, quase colérico, embora numa fase inicial a pessoa se sinta apenas mais sociável, criativa, inteligente e activa. Com a progressão da crise, existem alguns sintomas genéricos: irritabilidade extrema, reacção excessiva a estímulos, grandiosidade, aumento do amor próprio, diminuição da necessidade de dormir, abuso de álcool e de substâncias, entre outros tantos, que devem ser analisados caso a caso.
  4. Quando a crise é depressiva, o sintoma mais preponderante é a tristeza e o desespero. Outros sintomas são igualmente os sentimentos de inutilidade, alterações do apetite e do peso, preocupação com fracassos ou incapacidades, choro fácil ou vontade de chorar sem ser capaz, entre outros que, igualmente, devem ser analisados caso a caso.

Isto é apenas uma pequena resenha dos sintomas dos pacientes bipolares. Não é preciso puxar muito pela imaginação para perceber como sofrem, como as suas vidas e as de quem está à sua volta, são impactadas pelas crises de depressão e mania e como, fora delas, é precisar lidar com os efeitos, por vezes, devastadores, no quotidiano. Há que “apanhar os casos”, até vir outra crise.

Se acham que têm alguns destes sintomas, ou conhecem alguém que os tenha, procurem um psicoterapeuta ou um psiquiatra. A Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares faz um óptimo trabalho nesta matéria.

Só não sejam rápidas no gatilho, a dizer que o colega de trabalho é bipolar, ou que a vizinha é bipolar, porque, mesmo que o sejam, as doenças mentais são para serem consideradas, respeitadas e tratadas. Com medicação, se necessário, e muita psicoterapia.

Já basta a dor dos pacientes, a angústia que os seus diagnósticos lhes trazem. Não sejamos nós também, fonte de mais sofrimento. A informação está aí para quem quiser fazer o que está certo: acolher, respeitar e empatizar.

Fotografia: Istockphoto

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